A localização desta Floresta Nacional é restrita à Chapada do Araripe, marco natural que lhe empresta o nome e é situado na divisa dos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. O termo Apodi se refere à Chapada do Apodi, cuja relação com esta Unidade de Conservação reside apenas no nome original, sendo localizada em outra parte do Ceará, na divisa com o Rio Grande do Norte. Por este motivo, o nome prático adotado por seus gestores é Flona Araripe (Figura 1).
Figura 1. Logomarca dos 60 anos desta Unidade de Conservação, comemorados em 2006.
O perímetro atual da Flona Araripe abrange principalmente parte dos municípios cearenses de Crato e Barbalha, incluindo pequenas porções de Missão Velha, Santana do Cariri e Jardim. Sua primeira delimitação, de 34.790 ha, foi perdida e depois redefinida, sendo publicada tardiamente (Lima et al. 1984). Em 6 de junho de 2012 foi ampliada em 706,77 ha através de um decreto presidencial (DOU Nº 109, Seção 1, p. 24), passando a somar 38.969,0961 ha (Figura 2), conforme Certidão de Registro em cartório (Certidão de Registro Nº 7.433 do livro 02 – Registro Geral do Cartório G. Lobo da Comarca de Crato, Estado do Ceará).
Figura 2. Imagem de satélite com limites da Flona Araripe e maiores cidades próximas, destacando área ampliada em 2012.
A maior parte de sua extensão é situada acima dos 900 m de altitude (Figura 3), de modo que a cobertura florestal ajuda a captar a umidade plúvio nebular, que infiltra-se profusamente no solo quanto mais densa e íntegra seja a vegetação (Mendonça et al. 2009), não existindo riachos e corpos d'água superficiais permanentes em seus limites, exceto os artificiais, denominados barreiros da Malhada Bonita (7º21'55“S, 39º26'26”W) e das Flores (7º25'27“S, 39º17'46”W).
Figura 3. Flona Araripe e classes de altitude em seus limites e entorno.
Por estar localizada quase totalmente sobre o planalto da Chapada do Araripe, abrange poucos trechos de Mata Úmida que ascendem do sopé. Esta vegetação é legalmente considerada Mata Atlântica, classificável como Floresta Estacional Semidecidual ou Floresta Tropical Subcaducifólia (IBGE 2008). Desde perto do rebordo da chapada, seguindo em direção ao sudoeste, apresenta formações fitofisionômicas de Cerradão, Cerrado e Carrasco (Figueiredo 1997). Esta diversidade de ambientes (Figura 4) propicia avifaunas algo respectivas, ainda que diferenciadas mais pela proporção de espécies (equitabilidade) do que por suas composições (riquezas).
Figura 4. Flona Araripe e suas unidades fitoecológicas.
Cinco tipos de aves ameaçadas de extinção são encontradas em seu interior:
Outras aves praticamente endêmicas do bioma Caatinga são procuradas por observadores de aves desde a década de 1980, principalmente:
Outras aves notáveis são o piu-piu Myrmorchilus strigilatus (nome local, farinheiro)(Nascimento 1996), além do chorozinho-da-caatinga Herpsilochmus sellowi (Whitney et al. 2000).
É a primeira Floresta Nacional do Brasil, criada no ano de 1946. Inaugurou o que posteriormente veio a ser compreendido como categoria de Uso Sustentável entre as Unidades de Conservação nacionais, sendo antecedida apenas por duas unidades de Proteção Integral, os Parques Nacionais de Itatiaia (1937) e do Iguaçu (1939). Suas florestas protegem as áreas de recarga dos aquíferos que abastecem o vale do Cariri cearense, uma região profícua encravada no semiárido nordestino (Aderaldo 1958), análoga a um oásis (Figura 5). Justamente nestas surgências d'água, meio século depois foi descoberto o soldadinho-do-araripe Antilophia bokermanni, encontrado no interior da unidade somente em abril de 2012, ocupando grotas de vegetação úmida (Rumgay 2012).
Figura 5. Área do Brasil na América do Sul e sua vegetação perenifólia (mais verde) e caducifólia (menos verde), com destaque para a área de exceção do Cariri cearense (seta vermelha), onde a permanência das folhas indica a umidade na Flona Araripe.
Naturalistas do Século XVIII e XIX que também estudaram aves chegaram a atuar na região muito antes da criação da Flona Araripe, contudo, sem que algum legado representativo tenha perdurado. Entre estes encontram-se, por exemplo, Manuel Arruda da Câmara, Louis Jacques Brunet e Manoel Ferreira Lagos. No Século XX, o zoólogo Werner Panzer, a serviço da Universidade de Freiburg, estudou aves coletadas na Chapada do Araripe em 1930 (Mello Leitão 1941). Após a publicação do decreto de criação, na década de 1970 foram iniciados anilhamentos e coletas de aves por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (Coelho 1978). Outros estudos com coletas foram conduzidos na década de 1980 por uma equipe do Museu Nacional através do projeto “Aves ameaçadas de extinção na mata atlântica do nordeste brasileiro”, apoiado pelo World Wildlife Fund - US e Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza, quando foram enumeradas 88 espécies (Teixeira 1988). Iniciativas posteriores com anilhamentos apontaram uma listagem de 155 espécies (Nascimento 1996).
A lista remissiva triada, com referência dos primeiros a indicar cada espécie na Flona Araripe, é apresentada abaixo, exceto por Nascimento et al. (2000), em cujo trabalho não é possível separar o que refere-se à unidade ou ao seu entorno.
Como chegar?
O aeroporto de Juazeiro do Norte/CE (não confundir com o de Juazeiro/BA) atende à Região Metropolitana do Cariri cearense, com voos diretos de Fortaleza/CE, Recife/PE, Brasília/DF, Campinas/SP e São Paulo/SP, todos dispostos a seguir.
EMPRESA / ORIGEM / DECOLA - POUSA (frequência)
O trajeto até a cidade do Crato pode ser feito de táxi (R$60,00) ou com o aluguel de veículos no próprio aeroporto Orlando Bezerra de Menezes nas seguintes empresas:
Segunda a sexta: 0:01 às 3:00; 7:00 às 23:59; Sábado: 0:01 às 3:00; 7:00 às 23:59; Domingo: 0:01 às 3:00; 7:00 às 23:59; Feriados: 0:01 às 3:00; 7:00 às 23:59.
Segunda a sexta: 7:30 às 17:30; Sábado: 7:30 às 11:30; Domingo: 7:00 às 4:00.
Hospedagem
Os alojamentos da unidade não são destinados à hospedagem turística, no entanto, um espaço para acampamento encontra-se em fase de estruturação na casa sede (BR-122, de Crato a Exu, 7º14'55“S, 39º29'44”W, Figura 6) e na casa da Santa Rita (próxima à CE-060, de Barbalha a Jardim, 7º23'02“S, 39º21'16”W). Hotéis e pousadas em Crato, Barbalha e Juazeiro do Norte são as opções de hospedagem mais próximas à Flona Araripe.
Figura 6. Entrada da casa sede da Flona Araripe. Foto: Panoramio/Marcelo Ribeiro Pereira.
Crato (distâncias até a sede da Flona Araripe)
Barbalha
Alimentação
As opções de alimentação no Crato são as seguintes:
Trilhas
Todas as visitas devem ser agendadas com a chefia da Flona Araripe através do telefone (88) 3523-2018, sempre nos dias úteis, em horário comercial, com a maior antecedência possível (falar com Pedro Augusto, responsável pela área temática de uso público - flona.araripe@icmbio.gov.br; pedro.monteiro@icmbio.gov.br). Um pagamento diário de R$30,00 por visitante deve ser efetuado através de uma guia de recolhimento da União fornecida pela Flona Araripe, atrelada ao CPF do guia/condutor, com apresentação após quitação. É solicitado ao guia/condutor de turmas de observadores de aves o envio do seguinte formulário devidamente preenchido:
A Trilha das Corujas (Figura 7) é a principal área destinada à observação de aves na Flona Araripe na área de Cerradão e Mata Úmida. Mede 3 km desde seu início, na casa sede, até a ruína da casa das Corujas (sentido oeste leste), onde existe um mirante no penhasco da chapada que permite a visualização de todo o vale do Cariri. Apesar da caminhada de uma légua (ida e volta), o trajeto é fácil por ser plano e sombreado. Neste trecho não existe cobertura de sinal de celular, exceto na casa das Corujas. Antes do seu final, após percorrer 2.466 m (7º14'53,1“S, 39º28'30,4”W), nota-se à esquerda uma trilha vicinal (sentido sul norte), onde depois de 765 m encontram-se os primeiros exemplares do soldadinho-do-araripe habitando uma profunda grota, que continua por mais 225 m até o final da trilha, atravessando territórios de outros casais desta espécie antes de sair da Unidade de Conservação. Nos últimos 400 m desta trilha vicinal, o desnível é de 50 m, ou seja, para voltar, cada 8 m de caminhada implicam em 1 m de subida. No final de dezembro, existe possibilidade de contato com a araponga-do-nordeste, a despeito de sua raridade local, devendo-se percorrer cerca de 1,8 Km desde o início da trilha para encontrá-la. Entre as espécies mais comuns, destaca-se o fruxu-do-cerradão, localmente conhecido como admirador.
Figura 7. Percurso da Trilha das Corujas, principais atrativos e referências.
A Trilha da Pau-d'Arco (Figura 8) é fora da Flona Araripe, porém lindeira, estando em sua zona de amortecimento. É uma propriedade particular cuja visitação é facilitada pelo Projeto Soldadinho-do-araripe (veja tópico Conservação de aves). Uma de suas entradas (7º18'03“S, 39º33'03”W) dista 8,4 Km desde a casa sede da Flona Araripe, em direção ao sudoeste pela BR-122. Suas aves principais são normalmente observadas em 1.680 m de caminhada, dos quais, 1 Km pode ser percorrido de carro de passeio. Na saída, é possível adquirir frutas em pequenas bancas à beira da rodovia. Como suas trilhas são retas, em geral também são observados mamíferos (Figura 9). Suas fitofisionomias são de Carrasco, predominantemente, e Cerrado. Ao contrário da Trilha das Corujas, as principais aves observáveis são o bico-virado-da-caatinga Megaxenops parnaguae, joão-xique-xique Gyalophylax hellmayri e choca-do-nordeste Sakesphorus cristatus.
Figura 8. Percurso e localização da Trilha da Pau-d'Arco em relação à Flona Araripe.
Figura 9a. Veado e jaguatirica, mamíferos fotografados na Trilha da Pau d'Arco (Fotos: Jefferson Bob e Ciro Albano).
Figura 9b. Jeritacaca (cangambá) fotografado na Trilha da Pau d'Arco (Fotos: Ciro Albano).
Condutor local
O Conselho Consultivo da Flona Araripe recomenda como condutor local de visitantes para observação de aves o biólogo Jefferson Bobhttp://wikiaves.com.br/perfil_jeffersonbob (e-mail: bobptg65@gmail.com), cujo telefone é (88) 9204-2146.
Agências para observação de aves na região
Roteiros para observação de aves na Região Nordeste, incluindo a Chapada do Araripe, podem ser contratados através das páginas eletrônicas das agências a seguir:
Conservação de aves
O Projeto Soldadinho-do-araripe, da Aquasis http://www.aquasis.org/, promove a conservação desta espécie há mais de uma década, com escritório regional atuando desde 2010, situado no Crato, na Rua Rui Barbosa em frente ao Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti. Seu centro de visitantes, chamado Espaço Soldadinho-do-araripe, funciona através de agendamento pelo telefone (88) 3523-3873. O Conselho Consultivo da Flona Araripe conta com dois representantes (titular e suplente) do Projeto Soldadinho-do-araripe (DOU Nº 211, Seção 1, p. 180).
http://www.institutodoceara.org.br/aspx/images/revporano/1958/1958-FlorestaNacionalAraripeApodi.pdf
http://www.ccarevista.ufc.br/site/artigos_lista.php?sel=1984&sel2=1&sel3=15 (5º artigo)
http://www.brasiliana.com.br/obras/historia-das-exploracoes-cientificas-no-brasil/pagina/284/foto
http://www.scielo.br/pdf/esa/v14n1/v14n1a10.pdf